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Pacientes com epilepsia devem manter medicação durante pandemia


A pandemia de covid-19 é fonte de extremo estresse especialmente para quem vive com doenças que exigem tratamento e acompanhamento contínuo, como os pacientes com epilepsia. A neurocientista Silene Lima, diretora da Organização Não Governamental Iluminando a Vida, tem atendido pessoas com epilepsia e familiares com dúvidas sobre a gravidade da infecção pelo novo coronavírus em quem sofre com a doença. Ela é taxativa: “Indivíduos com epilepsia não apresentam maior probabilidade de serem infetados com o vírus do que qualquer outra pessoa”.

A neurocientista alerta que os pacientes não devem descontinuar os seus medicamentos antiepiléticos sem orientação do médico neurologista, pediatra ou neuropediatra. Doentes e familiares devem ainda evitar ir a postos de urgência e emergência justamente para reduzir o risco de infecção. “Se for preciso, os pacientes entrar em contato por telefone com o médico assistente para obter orientação”, afirma ela.

“Ou seja, todas as recomendações que damos às pessoas com epilepsia são as mesmas que servem a quem não tem a doença”, frisa Silene.

O neurocirurgião Francinaldo Gomes, que preside a ONG Iluminando a Vida, reitera: “Pessoas com epilepsia não são grupo de risco para a covid-19. Os grupos de risco são pessoas hipertensas, asmáticas, diabéticas, fumantes e imunodeprimidas”. A epilepsia não aumenta a gravidade do covid-19, diz o médico.

Famílias têm tido muitas dúvidas quanto à medicação, temendo que baixem a imunidade dos pacientes. Mas não há esse risco, afirma: “Os medicamentos para epilepsia não enfraquecem o sistema imunológico e nenhum medicamento antiepiléptico é incompatível com os medicamentos prescritos para covid-19”.

Pacientes e familiares devem manter a costumeira atenção para os estados febris, acrescenta Francinaldo. “A febre, independentemente de sua causa, é um fator desencadeante de crises epilépticas”.

O estresse é outro gatilho para crises. Durante a quarentena, aconselha o neurocirurgião, pacientes devem manter o isolamento e procurar fazer exercícios, yoga e meditação para acalmar o estresse. “Se for necessário, pode usar medicamentos ansiolíticos prescritos por um médico”.

Francinaldo reforça que pacientes com epilepsia devem seguir as orientações gerais para suspeita de covid-19: procurar o serviço de urgência em caso de falta de ar e dificuldade para respirar.

Em caso de crise epilética prolongada em casa, o paciente deve utilizar a medicação de emergência mais cedo do que o habitual.

Confira, abaixo, perguntas que chegaram à ONG respondidas pelo neurocirurgião Francinaldo Gomes:

- Pessoas com epilepsia são grupo de risco para a covid-19?

Não são do grupo de risco.

- E se elas tiverem outros agravos, como autismo ou alguma outra síndrome?

Os grupos de risco são pessoas hipertensas, asmáticas, diabéticas, fumantes e imunodeprimidas.

- A covid-19 podem ser mais graves em pessoas com epilepsia?

Não. A epilepsia não aumenta a gravidade do covid19.

- Preciso descontinuar minha medicação? Algum remédio enfraquece o sistema imunológico?

Os medicamentos para epilepsia não enfraquecem o sistema imunológico.

- Crianças com epilepsia que tomam metilfenidato para perturbação de hiperactividade e déficit de atenção devem ou não interromper a medicação durante o período de isolamento social?

Elas devem manter a medicação de uso habitual.

- Alguma medicação é incompatível com os remédios mais prescritos para covid-19?

Nenhum medicamento antiepiléptico é incompatível com os medicamentos prescritos para covid19.

- A febre causada pela covid-19 pode causar crises epiléticas?

A febre, independentemente de sua causa, é um fator desencadeante de crises epilépticas.

- O estresse causado pela quarentena pode promover de crises de ansiedade e pânico até crises epiléticas. O que o senhor acha que o paciente pode fazer para se proteger?

Estresse é um fator desencadeante de crises. Enquanto estiver no isolamento, procurar fazer exercícios, yoga e meditação para acalmar o estresse. Se for necessário, pode usar medicamentos ansiolíticos prescritos por um médico.

- Corro no serviço de urgência em caso de suspeita de covid-19 ou espero? Devo evitar se os sintomas forem leves?

Siga as orientações gerais para suspeita de covid19. Procurar o serviço de urgência em caso de falta de ar e dificuldade para respirar.

- Li que algumas formas muito raras de epilepsia (rasmussen, estado de mal eléctrico no sono) por vezes são tratadas com medicamentos que também afetam o sistema imunitário (por exemplo, ACTH, corticoides, imunoterapias), o que pode facilitar um maior risco para o desenvolvimento de sintomas mais graves de doenças virais. Devo suspender a medicação ou pedir para o médico fazer uma troca?

Embora tal evento possa ocorrer, o risco é baixo e as consequências da descompensação das crises são muito mais graves. Por isso o ACTH deve ser mantido.

- Em caso de crise prolongada em casa, devo utilizar a medicação de emergência mais cedo do que o habitual (por exemplo, após 2-3 minutos de duração da crise tónico-clónica)?

Sim. É o que deve ser feito.

- Alguns médicos aconselham que, em caso de alteração das manifestações da crise em relação às crises habituais, o paciente deve fazer um vídeo caseiro e tentar contactar o seu médico assistente para a realização de uma teleconsulta. O que o senhor acha?

Se você conseguir gravar será de grande valia. Também verifique com seu médico se ele atende por teleconsulta.

- Não consigo medicação da rede pública porque está tudo fechado. O que eu faço?

Você precisa cobrar das autoridades locais uma vez que o medicamento precisar estar disponível. Também pode adquirir nas farmácias.

- Que recomendações o senhor dá para pacientes com epilepsia enfrentarem essa fase difícil de pandemia?

Recomendo que mantenham suas medicações, tentem manter a calma e utilizem as medidas de prevenção para não pegarem a doença.

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(91)   984336012

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